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Recreação Magazine: Bom dia Professora Monica, é um prazer imenso
receber você para este bate papo.
Monica Cristina Monge: O prazer é todo meu.
Principalmente para falar sobre um assunto que eu gosto tanto!
RM:
Podemos começar então?
MCM:
Claro...
RM:
Sabemos que você tem feito um excelente trabalho utilizando sua
experiência na recreação para incrementar suas aulas. Para
você, qual a importância desta combinação do brincar e da sala de
aula?
MCM:
Quando penso em uma pedagogia que leva em conta os quatro
pilares da educação que são o "aprender a aprender", "aprender a
ser", "aprender a conviver" e "aprender a fazer", a recreação
torna-se um instrumental que vem de encontro ao que precisamos
para desenvolve-los, integrando todas as áreas do conhecimento.
Ao desenvolvermos jogos, gincanas, estamos trabalhando com o fazer
e o sentir, assimilando assim o conteúdo em sua forma mais
concreta. Sempre que trabalho um conteúdo novo tento
relacioná-lo à uma atividade lúdica. Assim a assimilação deste
conteúdo fica muito mais fácil e suave, feita de maneira
espontânea. Gosto sempre de fazer uma reflexão com os alunos
ao final de cada atividade, falando dos objetivos, das estratégias
usadas, dos resultados alcançados e da experiência obtida.
Percebo com o passar do tempo que os alunos começam a se
apresentar mais autônomos, mais auto-confiantes.
RM:
E quais as habilidades que são desenvolvidas no educando através
do uso de jogos e das canções recreativas que nos disseram que
você usa bastante.
MCM:
As habilidades físicas e as emocionais são as mais percebidas
em atividades recreativas, porém um profissional de educação com
bom planejamento e com objetivos bem determinados, pode
desenvolver muito bem as habilidades cognitivas, até porque todas
estas habilidades estão interligadas. Fica a cargo do
professor estabelecer quais habilidades ele pretende desenvolver
com mais ênfase naquela atividade e conduzir a prática para
alcançar os objetivos.
RM:
Já que citamos as canções, existe uma roda cantada que as crianças
gostam mais?
MCM:
As rodas cantadas que as crianças acabam gostando mais estão
muito relacionadas àquelas que eu gosto mais! É claro que quando
gostamos, passamos de uma maneira mais empolgada, mais divertida
(risos), mas cada turma sempre tem umas prediletas que pedem para
repetirmos sempre. A turma deste ano, o quinto ano, gosta das
rodas que tem uma integração com o colega, como por exemplo
"Talharim", "Tarantulita", "Pulando para a esquerda", "Patinho,
patinho, patão" [canções que são muito utilizadas na área
recreativa - nota da edição] canções que envolvem um contato,
um abraço, uma dança junto.
RM: Quanto tempo é dedicado à atividades recreativas ou
lúdicas.
MCM: Acredito que em média um quinto do tempo semanal.
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RM: E com que objetivos são usadas as atividades recreativas?
MCM: A atividade recreativa hoje já faz parte da rotina da
sala, sendo usada como estratégia para trabalhar todas as
habilidades. Para ficar mais claro posso dar um exemplo bem
simples e bem concreta. Estou trabalhando tabuada em
matemática, vou para a quadra e divido a sala em duas equipes e
dou um número para cada criança. Jogo a bola para cima falando uma
conta de multiplicar... o grupo tem de chegar no resultado e o
aluno que tem o número equivalente ao resultado da conta tem que
pegar a bola e, feito isso ganha um ponto para a equipe.
Assim trabalho o raciocínio lógico, agilidade, trabalho e equipe,
cooperação e competição.
RM: E qual tipo de atividade as crianças gostam mais?
MCM: Os jogos que mais gostam são os que apresentam o
desafio das regras mais complexas. Gostam de "tapa na
garrafa", onde o grupo tem que atacar e se defender ao mesmo
tempo, criando um equilíbrio e exigindo escolhas. Outro exemplo é
"prefeitura", um jogo de grupo, onde um aluno disputa sozinho pela
bola, mas só consegue marcar o ponto com ajuda de equipe. E assim
vários outros nesta linha de jogos com muitas regras.
RM: Você acredita que as crianças mudam, através da prática
recreativa, sua forma de se relacionar?
MCM: Não só acredito, como sou testemunha de algumas
mudanças. Tenho ótimos resultados em minha sala, alguns alunos
que não se expressavam, com um histórico que vinha de vários anos,
e que hoje participam de todas as atividades em sala e fora da
sala, dando suas opiniões, tirando suas dúvidas e fazendo parte do grupo, de maneira mais integral.
RM: Para encerrar, quais as principais mudanças que
você nota nas crianças com este uso constante de técnicas
recreativas em sua aula?
MCM: Noto a cada dia um grupo mais confiante e maduro. O
que eu mais gosto é a parceria que eles vão estabelecendo
comigo. Tenho uma sala amiga e autônoma. Tudo que
proponho da certo, o compromisso que eles estabelecem com a sua
própria educação muda, passando de passivo para ativo. Eles
se sentem responsáveis pelas suas atitudes e percebem que todo ato
tem conseqüências positivas ou negativas e que as estratégias e
escolhas têm que ser individuais, mas sempre com uma consciência
coletiva em relação ao grupo. O crescimento é gradual e
contínuo, com o tempo as crianças atingem uma auto-estima elevada,
tendo a certeza de que tudo é possível através do aprendizado.
Uma grande mudança é que os tenho notado realmente gostando de
freqüentar a escola!
RM: Gostaríamos muito de agradecer sua participação e lhe
desejar muita sorte em sua bonita carreira. Que esta
experiência sirva de auxilio para muitos professores e
instituições que não sabem mais que caminho tomar para ter
alcançar o desenvolvimento integral de seus alunos.
MCM: Eu que agradeço a oportunidade de poder participar
e compartilhar estas experiência que têm sido tão positivas em meu
dia a dia escolar. |