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Número 01   -   Ano I  -  Outubro 2009

 

 

Nossa conversa do mês é com Monica Cristina Monge que é professora do 5o. ano da Escola Municipal União, de Diadema, São Paulo.  Além da atuação como professora da rede municipal, Monica acumula 13 anos de trabalho com recreação

 

 

e investiu na proposta de utilizar sua prática recreativa como ferramenta de seu processo ensino-aprendizagem e tem colhido excelentes frutos desta mágica união.  Acompanhe a entrevista e avalie os resultados, você vai querer experimentar também!

 

 

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Recreação Magazine: Bom dia Professora Monica, é um prazer imenso receber você para este bate papo.

 

Monica Cristina Monge: O prazer é todo meu.  Principalmente para falar sobre um assunto que eu gosto tanto!

 

RM: Podemos começar então?

 

MCM: Claro...

 

RM: Sabemos que você tem feito um excelente trabalho utilizando sua experiência na recreação para incrementar suas aulas.  Para você, qual a importância desta combinação do brincar e da sala de aula?

 

MCM: Quando penso em uma pedagogia que leva em conta os quatro pilares da educação que são o "aprender a aprender", "aprender a ser", "aprender a conviver" e "aprender a fazer", a recreação torna-se um instrumental que vem de encontro ao que precisamos para desenvolve-los, integrando todas as áreas do conhecimento.  Ao desenvolvermos jogos, gincanas, estamos trabalhando com o fazer e o sentir, assimilando assim o conteúdo em sua forma mais concreta.  Sempre que trabalho um conteúdo novo tento relacioná-lo à uma atividade lúdica. Assim a assimilação deste conteúdo fica muito mais fácil e suave, feita de maneira espontânea.  Gosto sempre de fazer uma reflexão com os alunos ao final de cada atividade, falando dos objetivos, das estratégias usadas, dos resultados alcançados e da experiência obtida.  Percebo com o passar do tempo que os alunos começam a se apresentar mais autônomos, mais auto-confiantes.

 

RM: E quais as habilidades que são desenvolvidas no educando através do uso de jogos e das canções recreativas que nos disseram que você usa bastante.

 

MCM: As habilidades físicas e as emocionais são as mais percebidas em atividades recreativas, porém um profissional de educação com bom planejamento e com objetivos bem determinados, pode desenvolver muito bem as habilidades cognitivas, até porque todas estas habilidades estão interligadas.  Fica a cargo do professor estabelecer quais habilidades ele pretende desenvolver com mais ênfase naquela atividade e conduzir a prática para alcançar os objetivos.

 

RM: Já que citamos as canções, existe uma roda cantada que as crianças gostam mais?

 

MCM: As rodas cantadas que as crianças acabam gostando mais estão muito relacionadas àquelas que eu gosto mais! É claro que quando gostamos, passamos de uma maneira mais empolgada, mais divertida (risos), mas cada turma sempre tem umas prediletas que pedem para repetirmos sempre. A turma deste ano, o quinto ano, gosta das rodas que tem uma integração com o colega, como por exemplo "Talharim", "Tarantulita", "Pulando para a esquerda", "Patinho, patinho, patão" [canções que são muito utilizadas na área recreativa - nota da edição] canções que envolvem um contato, um abraço, uma dança junto.

RM: Quanto tempo é dedicado à atividades recreativas ou lúdicas.

MCM: Acredito que em média um quinto do tempo semanal.

 

  RM: E com que objetivos são usadas as atividades recreativas?

MCM: A atividade recreativa hoje já faz parte da rotina da sala, sendo usada como estratégia para trabalhar todas as habilidades.  Para ficar mais claro posso dar um exemplo bem simples e bem concreta.  Estou trabalhando tabuada em matemática, vou para a quadra e divido a sala em duas equipes e dou um número para cada criança. Jogo a bola para cima falando uma conta de multiplicar... o grupo tem de chegar no resultado e o aluno que tem o número equivalente ao resultado da conta tem que pegar a bola e, feito isso ganha um ponto para a equipe.  Assim trabalho o raciocínio lógico, agilidade, trabalho e equipe, cooperação e competição.

RM: E qual tipo de atividade as crianças gostam mais?

MCM: Os jogos que mais gostam são os que apresentam o desafio das regras mais complexas.  Gostam de "tapa na garrafa", onde o grupo tem que atacar e se defender ao mesmo tempo, criando um equilíbrio e exigindo escolhas. Outro exemplo é "prefeitura", um jogo de grupo, onde um aluno disputa sozinho pela bola, mas só consegue marcar o ponto com ajuda de equipe. E assim vários outros nesta linha de jogos com muitas regras.

RM: Você acredita que as crianças mudam, através da prática recreativa, sua forma de se relacionar?

MCM: Não só acredito, como sou testemunha de algumas mudanças.  Tenho ótimos resultados em minha sala, alguns alunos que não se expressavam, com um histórico que vinha de vários anos, e que hoje participam de todas as atividades em sala e fora da sala, dando suas opiniões, tirando suas dúvidas e fazendo parte do grupo, de maneira mais integral.

RM:  Para encerrar, quais as principais mudanças que você nota nas crianças com este uso constante de técnicas recreativas em sua aula?

MCM: Noto a cada dia um grupo mais confiante e maduro. O que eu mais gosto é a parceria que eles vão  estabelecendo comigo.  Tenho uma sala amiga e autônoma.  Tudo que proponho da certo, o compromisso que eles estabelecem com a sua própria educação muda, passando de passivo para ativo.  Eles se sentem responsáveis pelas suas atitudes e percebem que todo ato tem conseqüências positivas ou negativas e que as estratégias e escolhas têm que ser individuais, mas sempre com uma consciência coletiva em relação ao grupo.  O crescimento é gradual e contínuo, com o tempo as crianças atingem uma auto-estima elevada, tendo a certeza de que tudo é possível através do aprendizado.  Uma grande mudança é que os tenho notado realmente gostando de freqüentar a escola!

RM: Gostaríamos muito de agradecer sua participação e lhe desejar muita sorte em sua bonita carreira.  Que esta experiência sirva de auxilio para muitos professores e instituições que não sabem mais que caminho tomar para ter alcançar o desenvolvimento integral de seus alunos.

MCM: Eu que agradeço a oportunidade de poder participar e compartilhar estas experiência que têm sido tão positivas em meu dia a dia escolar.

   
 

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O material visa facilitar o ensino e aprendizagem das rodas cantadas que são tão importantes nas propostas recreativas e educacionais mas que muitas vezes são difíceis de aprender, memorizar em seus aspectos de letra, melodia e coreografia.

 

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