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Existe muita confusão por aí, principalmente na internet, no que
diz respeito a termos como “rodas cantadas”, “cantigas de rodas”,
“brincadeiras de roda”, “brincadeira cantada”, “dança circular”,
“cirandinhas”, entre outros que nos remetem a um grupo de pessoas,
em roda (ou não), brincando e cantando.
É neste sentido que o CELEIRO (um centro de estudos dedicado à
temas relacionados ao lazer, recreação e educação) vem levantando
informações que possam nos auxiliar a esclarecer estes nomes
aparentemente parecidos, mas com seus contextos tão diferentes.
Saber o que se diz, como se expressar na apresentação de um
projeto, de um programa de aulas, de uma sequência pedagógica ou
de uma programação recreativa é essencial para que todos estejam
falando a mesma coisa, interlocutor e receptor percebam o mesmo
significado na mesma expressão.
Iniciando pelas “cantigas de roda” que são uma manifestação do
brincar infantil onde tipicamente as crianças formam uma roda de
mãos dadas e cantam melodias simples e folclóricas, de ritmo limpo
e rápido. As letras destas canções contam com características da
cultura local, com letras de fácil compreensão e assimilação quase
que imediata. Em sua maioria foram aprendidas com os pais, avós ou
colegas de brincadeira. Acredita-se que tais melodias podem ter
origem em músicas modificadas de um autor popular, muitas vezes
surgindo através de autoria coletiva, iniciando anonimamente entre
a população.
As “cantigas de roda” estão incluídas entre as tradições orais em
inúmeras culturas. No Brasil, fazem parte do folclore brasileiro,
incorporando elementos das culturas africana, européia
(principalmente portuguesa e espanhola) e índia. Hoje já não
mantém as características de sua origem, divido às mais curiosas
deformações de suas letras e melodia, seja pela dificuldade do
idioma original, pela assimilação das características locais ou
pelo esquecimento e releitura característico da transmissão
informal e pela própria inconsciência com que são proferidas pelas
bocas infantis. Entre as cantigas de roda mais conhecidas estão
Roda pião, O cravo e a rosa e Atirei o pau no gato.
Já a “Ciranda” é uma dança típica das praias que começou a
aparecer no litoral norte de Pernambuco. Surgiu também,
simultaneamente, em áreas do interior da Zona da Mata Norte do
Estado. É muito comum no Brasil definir ciranda como uma
brincadeira de roda infantil, porém na região Nordeste e,
principalmente, em Pernambuco ela é conhecida como uma dança de
rodas de adultos. Os participantes podem ser de várias faixas
etárias, não havendo impedimentos para a participação de crianças
também. Caracteriza-se pela formação de uma grande roda,
geralmente nas praias ou praças, onde os integrantes dançam ao som
de ritmo lento e repetido.
Uma das cirandas mais conhecidas é a de Antônio Baracho da Silva:
Estava
Na beira da praia Ouvindo as pancadas
Das águas do mar
Esta ciranda
Quem me deu foi Lia
Que mora na ilha
De Itamaracá
As “Cirandinhas” como o próprio nome sugere são um grupo de
canções que surgiram à partir das adaptações das canções adultas,
como as cirandas, e passaram pela adaptação para o universo
infantil, seja pela própria interação com a criança, seja pela
características de pais e avós que às usam no ninar de pequenos e
às infantilizam para tanto. É comum que estas canções se unam e se
fundam umas às outras, sofrendo alterações de acordo com a região
e características culturais locais.
Como exemplo temos:
Ciranda, cirandinha,
vamos todos cirandar,
vamos , dar a meia volta,
volta e meia vamos dar...
o anel que tu me deras,
era vidro e se quebrou,
o amor que tu me tinhas,
era pouco e se acabou,
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As
“cantigas de ninar” também são uma manifestação derivada das
cantigas de roda e tinham (e em muitos lugares ainda têm) a
utilidade de acalentar as crianças pequenas na hora de dormir.
Suas letras muitas vezes expressam o medo e os receios das mães,
irmãs mais velhas, tias ou avós que, sozinhas em casa, precisavam
cuidar dos pequenos. Esta característica muitas vezes lhe
acarretou letras pesadas e de ameaça, como na cantiga “Boi da Cara
Preta”:
Boi, boi, boi
boi da cara preta,
pega esta menina
que tem medo de careta!
Já as “Rodas Cantadas” são uma brincadeira que envolve a música, o
corpo, o ritmo, e por vezes um desafio, uma piada, um tema que
envolve e diverte. É uma manifestação da recreação, atividade
lúdica, que produz prazer e alegria. Também é amplamente utilizada
em ambiente educacional para estimular, sensibilizar, “quebrar o
gelo”, integrar, alegrar. As rodas cantadas são capazes de
estimular a memória, desenvolver o ritmo, melhorar as capacidades
físicas, a coordenação motora, também por não se basear em
movimentos corretos ou errados, nem em performance do canto ou do
gesto, são capazes de melhorar a auto-estima, possibilitar o
prazer de fazer parte de algo, ser parte de um grupo, realizar
coletivamente.
Em questões históricas, as rodas cantadas são manifestações mais
contemporâneas, são sempre atualizadas para que possam acompanhar
a linguagem e os interesses da atualidade. Anualmente são
compostas novas rodas ou são trazidas de outros países através de
intercâmbios.
Segundo Silveira (R,T, 2009) rodas cantadas são:
(...) trabalhos musicais que possam ser realizados com crianças,
jovens e adultos apenas com o uso de voz, ritmo e movimento, com
objetivos recreativos, sem uso de acompanhamentos instrumentais e
sem a necessidade de preocupar-se com a métrica musical, divisão
correta de tempos e compassos ou regras semelhantes. Podem ser
propostos por um dinamizador, como um recreacionista ou professor,
ou podem surgir por iniciativa do próprio grupo em um momento de
lazer, não sendo obrigatório que se realizem em posição de roda.
Um exemplo desta manifestação é:
Era um cavalo, guloso comia capim, (o grupo repete)
De tanto comer capim,
sua perninha ficou assim – (faz-se um gesto, o grupo repete a
letra e faz seu gesto)
assim, bem assim,
assim, assim, assim, hey, assim, assim, assim, hey
Era um cavalo, guloso comia capim, (o grupo repete)
De tanto comer capim,
sua outra perninha ficou assim – (faz-se um gesto, o grupo repete
a letra e faz seu gesto)
assim, bem assim,
assim, assim, assim, hey, assim, assim, assim, hey
(e assim por diante com várias partes do corpo)
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Algumas
referências:
BRINCANTES. Recife: PCR, Fundação de Cultura Cidade do Recife,
2000. p. 108-112.
LIMA, Claudia. História junina. Recife: PCR, Secretaria de
Turismo, 1997. p. 18. Edição Especial.
PELLEGRINI FILHO, Américo. Danças folclóricas. São Paulo:
Universidade Mackenzie, 1980. p. 47-51.
RABELLO, Evandro. Ciranda. In: SOUTO MAIOR, Mário; VALENTE,
Waldemar (Org.). Antologia pernambucana de folclore 1. Recife:
Fundaj, Ed. Massangana, 1988. p. 55-61.
SILVEIRA, Ronaldo T. Rodas Cantadas.
www.rodascantadas.com.br/principal em 15 de junho de 2009.
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